Eu nunca gostei e nunca achei piada à célebre frase "não há amor como o primeiro".

Deve ser na adolescência que esse dito Amor surge, na mesma altura em que ainda estamos a aprender a controlar o grande leque de emoções que começamos a viver.

Eu olho para trás, para o meu primeiro amor, e nada vejo nele que gostaria de trazer para os amores seguintes. Olho para trás e a única coisa que me faz sorrir é a inocência, tudo o resto não. Prefiro viver um Amor maduro onde se troca a inocência por vulnerabilidade. Onde eu *agora* sei que para ter uma relação forte não posso esconder as vergonhas, os medos, as lágrimas, as dúvidas e tudo o que me mostra menos capaz.

No primeiro amor, diria até nos primeiros amores, separava  os sentimentos do dia-a-dia, como se fossem dois reinos separados, o Amor e o resto, ela e os outros! Dava para viver nos dois mundos, de forma independente, nenhum afetava o outro, mas o mundo do Amor era prioritário.

Não imagino possível viver um amor de forma mais inocente que o primeiro, mas imagino sim que cada vez que vivemos um novo amor, é cada vez melhor, é cada vez maior, é mais Amor.

Aprendemos a viver um Amor em bruto, sem necessidade de o lapidar, tem arestas, tem cortes, pode magoar, vai magoar, mas vai brilhar também, sem esforço, sem tirar nenhuma lasca.

Nos primeiros amores não sabemos o que fazer, mas pensamos que temos de fazer qualquer coisa, afinal, o tão respeitoso, poderoso e omnipresente Amor, escolheu-me também! Toca a fazer coisas! E vem o cansaço... e vem a desilusão... e vem o... nada!

Já me entreguei ao Amor, já me despi por ele, já me magoei. E olho para trás, e vejo que ele não me pediu nada dessas coisas.

Não quero um Amor desses, quero outro... aquele que eu já conheci muito depois do primeiro, aquele que faz comigo, que anda comigo, que nada pesa, que me deixa comer e dormir em paz, que nada exige de mim.

Sei que ele vai respeitar o meu tempo e o meu ritmo, mas também sei que se eu não o viver, ele vai-se embora sem dizer adeus, e só volta quando quiser!

Não há mesmo amor como o primeiro, e ainda bem!


Imagem de Andi Graf por Pixabay